Homenagem a João Pernambuco
no 60° aniversário de falecimento
por Angelo Zaniol
AO REDOR DO MESTRE
Roteiro Para os Cibernautas


O melhor ensaio sobre Pernambuco hoje disponível na Internet é o assinado por Jorge Carvalho De Mello e intitulado João Pernambuco - Um Olhar Sobre Sua Obra. É publicado na seção Chorões do site
http://www.chiquinhagonzaga.com/nazareth.
Outros artigos dedicados a João Pernambuco na Internet devem ser consultados com muito cuidado, contendo erros e dados inexplicáveis. Eis três exemplos:

http://www.pe-az.com.br/biografias/joao_pernambucano.htm : Pernambuco «Morreu no Rio de Janeiro, a 15 de janeiro de 1948». A data de morte está completamente errada.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Pernambuco : Pernambuco seria «filho de índia caeté»; isto é falso, já que sua mãe chamava-se Teresa Vieira e era descendente de portuguêses. «Principais Sucessos: A Canção de Seus Olhos (com Antônio Maria), Aperitivo (com Mário Rossi), O Amor e a Rosa (com Antônio Maria), Suas Mãos (com Antônio Maria)»: quem escreveu esse artigo para Wikipedia confunde João Pernambuco com o Pernambuco parceiro de Mário Rossi e Antônio Maria, que viveu noutra época.

http://www.dicionariompb.com.br/detalhe.asp?nome=Jo%E3o+Pernambuco&tabela=T_FORM_A&qdetalhe=obr Obras de Pernambuco: «A Voz da Cascata, Batuque Sertanejo, Coração, que Mais Queres?, Esperança, […]». Essas obras não têm nada a ver com João Pernambuco.

 
 1) Parceiros de João Pernambuco nas composições:
   

Armandinho Neves (1902-1976)
Compôs em parceria com Pernambuco os choros Serrano e Pinheirada.
http://www.violaomandriao.mus.br/historia/violaoemsampa16.htm

 

Donga (1890-1974)
Compôs em parceria com Pernambuco e Pixinguinha os choros Estou Voltando, Os Três Companheiros e Sabiá. 
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Donga

 

Pixinguinha (1897-1973)
Compôs em parceria com Pernambuco e Donga os choros Estou Voltando, Os Três Companheiros e Sabiá. 
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Pixinguinha

 
 2) Parceiros nas gravações e intérpretes históricos:
 

Rogério Guimarães (1900-1980)
Gravou em duo de violões com Pernambuco Lágrima e Mimoso.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Rog%E9rio+Guimar%E3es

 

Zezinho (1904-1987)
Gravou, ao segundo violão, com Pernambuco dez peças instrumentais dele: Dengoso, Interrogando, Magoado, Pó de Mico, Reboliço, Recordando, Rosa Carioca, Sentindo, Sonho de Magia, Suspiro Apaixonado, e oito vocais: Biro Biro Yayá, Catirina, Estrela d’Alva, Meu Noivado, Na Gamboa, Sacco e Bizacco (de Jararaca), Tiá de Junqueiro, Vancê.
http://www.samba-choro.com.br/artistas/zecarioca

 

Nelson Alves (1895-1960)
Acompanhou, ao cavaquinho, Pernambuco nas gravações de Magoado e Sons de Carrilhões.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Nelson+Alves

 

Paraguassu (1890 -1976)
Gravou de Pernambuco, com o próprio autor, Amô de Caboco; além de cantar, Paraguassu acompanhava-se ao segundo violão. De Pernambuco gravou também Luar do Sertão e Azulão.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Paraguassu

 

Stefana de Macedo (1903-1975)
Gravou de Pernambuco oito peças vocais: Biro, Biro, Yayá, Estrela d’Alva, Maneca dos Geraes, Ronca o Bizouro na Fulô, Siricóia, Sodade Cabocla, Tiá de Junqueiro,Vancê.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Stefana+de+Macedo

 

Patrício Teixeira (1893-1972)
Gravou de Pernambuco seis peças vocais: Ajoeia Chiquinha, Crato, As Emboladas do Norte [Meu Baião], Jandaia, Preto no Branco, Sêo Coitinho Pegue o Boi.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Patr%EDcio+Teixeira

 

  

Jararaca (1896-1977) e  Ratinho (1896-1972)
Jararaca  gravou como cantor quatro peças vocais de Pernambuco:
A.B.C., Catirina, Meu Noivado e Perigando.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_E&nome=Jararaca+e+Ratinho

 
 3) Bons amigos, admiradores e críticos:
 

Alexandre Gonçalves Pinto (1870 ca.-1940 ca.)
No seu livro O Choro – Reminiscências dos Chorões Antigos (1936) o “Animal” fala muito bem de João Pernambuco (páginas 124-125). Ele chega a afirmar que ele «tem magia nos dedos, na formação dos tons e na dedilhação das cordas».
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Alexandre+Gon%E7alves+Pinto

 

Satiro Bilhar (1860 c.-1926)
Entre os Chorões da época foi um dos mais calorosos admiradores de Pernambuco.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=S%E1tiro+Bilhar  

 

Quincas Laranjeira[s] (1873-1935)
Foi o mais íntimo amigo de Pernambuco e provavelmente também seu “professor” de teoria musical.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Quincas+Laranjeiras

 

Levino Albano da Conceição (1895-1955)
O exímio violonista compositor cego foi amigo e admirador sincero de Pernambuco. Foi ele que lhe apresentou em 1933 o jovem Dilermando Reis.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Levino+da+Concei%E7%E3o

 

Agustín Barrios Mangoré (1885-1944)
O sumo violonista paraguaio tinha a mais profunda consideração pela arte de Pernambuco, com que tocou amiúde em duo na loja O Cavaquinho de Ouro. Quando Barrios deixou definitivamente o Brasil, ele compôs o seu famoso Choro da Saudade para homenagear o querido amigo e colega Pernambuco.
http://en.wikipedia.org/wiki/Agust%C3%ADn_Barrios

 

Almirante (1908-1980)
Bom amigo e admirador de Pernambuco, foi ele que tomou a sua defesa na contenda com Catulo da Paixão Cearense pela autoria da música de Caboca de Caxangá e Luar do Sertão. Sobre essa questão complicada e controversa, Almirante escreveu as páginas mais equilibradas no livro No Tempo de Noel Rosa (1963). Almirante preservou no seu arquivo numerosas músicas de Pernambuco, sobretudo vocais.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Almirante

 

Meira (1909-1982)
O excelente violonista, mestre de tantos solistas famosos (como Baden Powell, Raphael Rabello, Maurício Carrilho, etc.), deixou depoimentos iluminantes sobre a figura e a arte de Pernambuco, que ele conhecia pessoalmente e muito admirava.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Meira

 

Jacob do Bandolim (1918-1969)
O insuperável mestre do bandolim foi também um pesquisador incansável. Ele salvou no seu preciosíssimo arquivo inúmeras músicas, entre as quais três manuscritos únicos de Pernambuco: Pra Você, Sabiá e Os Três Companheiros.
http://www.jacobdobandolim.com.br/

 

Mozart de Araújo (1904-1988)
Araújo, um dos pais da musicologia brasileira, era de opinião que Pernambuco possuia «um talento excepcional» e «está para o violão assim como Ernesto Nazareth está para o piano». Preservou no seu arquivo o único manuscrito existente da valsa Noite de Ventura.
http://www.audiodicas.com.br/lm/ceara/ceara_compositores.htm

 


Ronoel Simões (1919)
O maior colecionador brasileiro (senão do mundo inteiro) de obras para violão, erudito e popular, teve a oportunidade de encontrar mais de uma vez Pernambuco e de ouvi-lo tocar. Deixou sobre ele depoimentos bastante contraditórios: em 1994 Simões declarou por exemplo ao pesquisador Gilson Antunes que Pernambuco «compunha bem músicas populares, mas que no violão ele não era bom, ele ponteava o violão, tocava só em uma corda e alguém acompanhava. E o Villa-Lobos concordou comigo». Ao colecionador paulista cabe todavia o mérito de ter preservado no seu imenso arquivo pelo menos duas peças manuscritas de Pernambuco, que sem ele hoje estariam talvez perdidas: Serrano e Pinheirada, choros compostos por Pernambuco em parceria com Armandinho Neves.
http://www.geocities.com/Vienna/Waltz/3039/ronoel.html

 
 4) Supostos amigos e detratores:
 



Heitor Villa-Lobos (1887-1959)
Villa-Lobos, que conhecia de perto Pernambuco desde a juventude, tinha pelo Chorão pernambucano uma admiração marcada, ao ponto de pronunciar a célebre frase: «Bach não se envergonharia em assinar os estudos [violonísticos] de João Pernambuco como sendo seus». Todavia, quando em 1934 Villa-Lobos quis ajudar o velho amigo em dificultade dando-lhe um emprego na sua Superintendência de Educacão Musical e Artística, da qual era o onipotente diretor, não lhe ofereceu um trabalho como professor de violão, mas sim como Contínuo. Além disto Villa-Lobos apropriou-se tacitamente de muitas idéias musicais das mais originais de Pernambuco, idéias que encontram-se depois magistralmente reelaboradas nas suas composições violonísticas, e afinal o deixou morrer sem fazer nada para preservar a sua obra, que assim foi na maior parte enterrada com seu autor.
http://www.museuvillalobos.org.br/mvl1.htm

 

Catulo da Paixão Cearense (1863-1946)
Incontestavelmente grande poeta, Catulo da Paixão Cearense devia ser um homem ávido e prevaricador. Mesmo sendo notoriamente bastante modesto como compositor de música, ele afirmou com obstinada impudência que as belíssimas melodias das canções populares Caboca de Caxangá e Luar do Sertão eram de sua autoria como as letras, embora todo mundo soubesse que o verdadeiro autor dessas músicas tão inspiradas era seu “amigo” João Pernambuco. Quanto a este último, ele sempre manteve com digna firmeza que Catulo se limitou a compor os versos das duas ditas canções, enquanto a música era sua, composta a partir de várias melodias folclóricas de sua terra natal.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Catulo+da+Paix%E3o+Cearense

 

Carlos Maul (1887-1974)
O polêmico autor do hilário A Glória Escandalosa de Heitor Villa-Lobos trata Pernambuco como impostor quando escreve: «Ao sr. Heitor Villa-Lobos e seus amigos que insistem em dar a autoria do Luar do Sertão ao seu amigo João Pernambuco, é fácil de responder que essa versão não tem nenhuma consistência ante a confissão do próprio Catulo, por isso mesmo a mais autorizada» (João Pernambuco - Arte de um Povo, cit., p. 42).
http://www.apcl.com.br/noticias/coluna_carlosmaul.htm

 

Guimarães Martins (?-?)
Este cantor e compositor, hoje esquecido, foi o intérprete e amigo n.o 1 de Catulo da Paixão Cearense, por quem teve partido com ímpeto na contenda com Pernambuco sobre a autoria de Caboca de Caxangá e Luar do Sertão. Para recompensá-lo pelos seus serviços Catulo antes de morrer, o nomeou seu cessionário e único representante legal.
Nenhuma notícia na Internet

 


Ary Vasconcelos (1926-2003)
Quem foi sem dúvida o maior pesquisador-historiador da segunda metade do século XX no campo da MPB não tinha nenhuma consideração por Pernambuco, talvez em consequência da admiração ilimitada que tinha ao contrário por Catulo da Paixão Cearense. No seu livro, aliás justamente famoso, Panorama da Música Popular Brasileira da Belle Époque Vasconcelos dedica 24 páginas a Catulo, apresentado como uma das maiores glórias da poesia e da música brasileiras, enquanto ignora quase completamente Pernambuco, que nem mesmo encontra-se no Índice Onomástico do livro. Todavia foi graças à sua paixão de colecionador sem preconceitos que temos hoje a esplêndida valsa de Pernambuco Pensando em Augustinha, gravada pelo próprio autor em 1912. Ao que parece Vasconcelos era o único em todo o Brasil que possuía e guardava no seu acervo este raríssimo disco.
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_B&nome=Ary+Vasconcelos

 
4) Principais intérpretes modernos das músicas de João Pernambuco:
 

Dilermando Reis (1916-1977)
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Dilermando+Reis

 

Dino Sete Cordas (1918-2006)
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?nome=Horondino+Jos%E9+da+Silva&tabela=T_FORM_A

 

Nicanor Teixeira (1928)
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Nicanor+Teixeira

 

Baden Powell (1937-2000)
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Baden+Powell

 

Turíbio Santos (1943)
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Tur%EDbio+Santos

 

Carlos Barbosa-Lima (1944)
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Carlos+Barbosa%2DLima

 

Caio Cezar Sitônio (1960)
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Caio+Cezar

 

Raphael Rabello (1962-1995)
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Raphael+Rabello

 

Leandro Carvalho (1976)
http://www.leandrocarvalho.com.br

 

Duda Anizio
http://www.myspace.com/dudaanizio

 
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